Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Capuchinho

Roer as unhas
Até doer
E deixá-las crescer
De novo
Dizer o que me apetecer
Foder com quem quiser
Partir o ovo
Comer o Ovo
Ser comido pelo lobo
Pelo caçador e pela avozinha
Deitar fogo na cozinha
Deixar o leite verter por fora
Ir embora
E voltar
Não me perder no bosque

(Abusar do infinitivo
In-fi-ni-ta-men-te)

Catrapuz!
Cair
E levantar-me
Despir o capuz
Assoar (ruidosamente) o nariz
Coçar onde é preciso
Não ter juízo nenhum

(senão o dom da palavra
[certa)

Deitar fora o cabaz
Sem saber o que ele traz
Não adormecer pelo caminho
Contar carneirinhos
Um carneirinho
Dois carneirinhos
Um carneirinho
Sozinho
Calar. Escutar cada ruído
E aprender
A ser (no imperfeito)
O Capuchinho.

3 Mensagens:

Jan disse...

"Aprender a ser (no) imperfeito."

Gostei.

E os parêntesis são responsabilidade minha. :p

Jan disse...

A deslocação dos parêntesis, digo.

João Henriques disse...

Gostei da alteração.
E da alteração de sentido que ela traz.