Quinta-feira, Junho 18, 2009

Que seja!

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, assim mesmo: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insónia, a contemplar as partículas de poeira soltas no ar, como um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.
Caio Fernando Abreu

7 Mensagens:

Jan disse...

E a minha hortelã é como o dono, mirra com este calor sufocante. Estou-lhe a dar tratamento VIP mas ainda não é desta que espalha o cheiro pela casa...

João Henriques disse...

A hortelã põe-se cheirosa para a chegada de dragões. Não consta que estes só venham no Inverno ou que a hortelã desmaie no Verão... será que é mesmo do calor? :-)

Jan disse...

Ou isso ou da ausência do dragão. :)

joao disse...

Como os dragões não se auto-anunciam, está atento aos cheiros da casa. Dizem que também pode ser alecrim...

joao disse...

e há ainda outros indícios:
«Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber porque, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e beringelas luzidias...»

Jan disse...

A hortelã despertou de novo. São sete rebentos lindos; o dragão há-de voltar em breve. :)

João Henriques disse...

se calhar já voltou.. daí os rebentos :)