The two of us going in the car
I don't know where we'll arrive to
when the steering is in your hands
you always have to surprise (me)
I can't stop
to look at your face in the mirror
and you feel each movement
you send a caress to my lips.
The two of us going in the car
you say to me the road will be long
and that I can fall asleep
afterward you'll tell me all that happened
I am not asleep
I'm counting stars through the holes in support-frame
and you, with a cigarette in your mouth,
sing a song of love to me with the radio.
Kiss me strongly
kiss until it hurts,
and the sun won't set
you are one and only
my marvellous love
and I love you.
The two of us going in the car
if only we could go forever
you think that I've
already been asleep for a while and not listening
how you, with a cigarette in your mouth,
sing a song of love to me with the radio.
Kiss me strongly...
Sivan Shavit
Terça-feira, Março 31, 2009
NASHKI OTI (2)
Shneinu nos'im bamechonit
ani lo yoda'at le'an nagi'a
kshehahegeh nimtza bayadaim shelcha
atah tamid chayav lehafti'a
ani lo yecholah lehafsik
lehistakel al hapanim shelcha betoch hare'i
ve'ata margish kol tnu'ah
shole'ach letifah el hasfataim sheli.
Shneinu nos'im bamechonit
atah omer li haderech tihyeh arukah
ushe'ani yecholah lahiradem
acharei zeh tesaper li kol mah shekarah
ani lo yeshenah
soferet kochavim derech chorim basmichah
ve'atah im sigariah bapeh
shar li im haradio shir ahavah.
Nashki oti chazak
nashki ad sheyich'av
vehashemesh lo tishk'a
at achat veyechidah
ahuvati hamufla'ah
va'ani ohev otach.
Shneinu nos'im bamechonit
halevai sheyacholnu linso'a lanetzach
atah choshev she'ani
mizman kvar nirdamti velo makshivah
ech atah im sigariah bapeh
shar li im haradio shir ahavah.
Nashki oti chazak...
Sivan Shavit
ani lo yoda'at le'an nagi'a
kshehahegeh nimtza bayadaim shelcha
atah tamid chayav lehafti'a
ani lo yecholah lehafsik
lehistakel al hapanim shelcha betoch hare'i
ve'ata margish kol tnu'ah
shole'ach letifah el hasfataim sheli.
Shneinu nos'im bamechonit
atah omer li haderech tihyeh arukah
ushe'ani yecholah lahiradem
acharei zeh tesaper li kol mah shekarah
ani lo yeshenah
soferet kochavim derech chorim basmichah
ve'atah im sigariah bapeh
shar li im haradio shir ahavah.
Nashki oti chazak
nashki ad sheyich'av
vehashemesh lo tishk'a
at achat veyechidah
ahuvati hamufla'ah
va'ani ohev otach.
Shneinu nos'im bamechonit
halevai sheyacholnu linso'a lanetzach
atah choshev she'ani
mizman kvar nirdamti velo makshivah
ech atah im sigariah bapeh
shar li im haradio shir ahavah.
Nashki oti chazak...
Sivan Shavit
Domingo, Março 29, 2009
Tropecei (de novo) na Adília...
Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes
Quem Quer Casar Com a Poetisa?
Quasi Edições, 2001
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes
Quem Quer Casar Com a Poetisa?
Quasi Edições, 2001
Sábado, Março 28, 2009
נשקי אותי
ביצוע: סיון שביט
מילים: סיון שביט
לחן: אמיר צורף וסיון שביט
שנינו נוסעים במכונית
אני לא יודעת לאן נגיע
כשההגה נמצא בידיים שלך
אתה תמיד חייב להפתיע
אני לא יכולה להפסיק
להסתכל על הפנים שלך בתוך הראי
ואתה מרגיש כל תנועה
שולח לטיפה אל השפתיים שלי
שנינו נוסעים במכונית
אתה אומר לי שהדרך תהיה ארוכה
ושאני יכולה להירדם
אחרי זה תספר לי כל מה שקרה
אני לא ישנה
סופרת כוכבים דרך חורים בשמיכה
ואתה עם סיגריה בפה
שר לי עם הרדיו שיר אהבה
נשקי אותי חזק
נשקי עד שיכאב
והשמש לא תשקע
את אחת ויחידה
אהובתי המופלאה
ואני אוהב אותך
שנינו נוסעים במכונית
הלוואי שיכולנו לנסוע לנצח
אתה חושב שאני
מזמן כבר נרדמתי ולא מקשיבה
איך אתה עם סיגריה בפה
שר לי עם הרדיו שיר אהבה
נשקי אותי חזק...
(Sivan Shavit)
Segunda-feira, Março 23, 2009
Acordar Tarde
tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
Al Berto
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
Al Berto
Ausência (ou Águas de Março II)
É o título do primeiro poema que me lembro de ter escrito. Devia ter 16/17 anos. Assim meio confessional, meio neo-realista impressionista, meio descritivo, meio naif. Meio a tentar perceber o que sentia, meio a tentar dizê-lo. Assim.
Olho para trás:
Uma praia tão grande,
Tanta areia, tanto mar…
Gaivotas que pousam perto de mim,
Música que vem daquele bar,
Apitos que chegam dos cargueiros ao fundo…
E eu sento-me no paredão e observo tudo isto.
Chove, chove muito
(Nunca me ocorreu que na praia houvesse chuva).
Observo a paisagem.
Lembro-me de outras vezes ter vindo a este lugar,
Raras vezes, poucas vezes.
Lembro-me de passear na areia,
Dar poucos passos – deixei tão poucas pegadas…
Lembro-me que fui uma vez ao bar,
Mas nem reparei na música
E os cargueiros? Nunca me interessaram.
Agora invade-me um desejo,
Uma vontade de caminhar, correr,
Encher a praia de pegadas.
Mergulhar e abraçar o mar,
Como se abraçasse a vida.
Entrar em todos os cargueiros,
Conhecer os pescadores,
Correr com as aves
Ouvir todas as músicas…
A chuva escorrega pelos meus cabelos.
Embrenha-se nos pensamentos
E eu desato a chorar.
Como se chorar ou chover
Pudesse apagar
As pegadas que não cheguei a dar.
É tarde. O bar fechou.
As gaivotas partiram para longe.
O mar está agitado, parece que me acusa,
Parece que me quer castigar.
Os cargueiros afastaram-se,
Vão ancorar nos devidos portos
(Sem que eu neles tenha entrado),
E eu? Sinto-me cansado,
Sem forças para percorrer toda a areia
E preencher a praia de pegadas.
Parou de chover. Vou embora.
Num mergulho,
O mar não encheria o meu abraço
E a música? Se a ouvisse muitas vezes cansaria.
Por mais pegadas que desse, parecer-me-iam poucas
E todo o areal seria pequeno para mim.
Ficam, no espaço hipotético
Que isto ocuparia em mim
Em tamanho semelhante
Ao da vista que tenho daqui,
Ausência e chuva.
(Nem sei porque me lembrei dele...)
Olho para trás:
Uma praia tão grande,
Tanta areia, tanto mar…
Gaivotas que pousam perto de mim,
Música que vem daquele bar,
Apitos que chegam dos cargueiros ao fundo…
E eu sento-me no paredão e observo tudo isto.
Chove, chove muito
(Nunca me ocorreu que na praia houvesse chuva).
Observo a paisagem.
Lembro-me de outras vezes ter vindo a este lugar,
Raras vezes, poucas vezes.
Lembro-me de passear na areia,
Dar poucos passos – deixei tão poucas pegadas…
Lembro-me que fui uma vez ao bar,
Mas nem reparei na música
E os cargueiros? Nunca me interessaram.
Agora invade-me um desejo,
Uma vontade de caminhar, correr,
Encher a praia de pegadas.
Mergulhar e abraçar o mar,
Como se abraçasse a vida.
Entrar em todos os cargueiros,
Conhecer os pescadores,
Correr com as aves
Ouvir todas as músicas…
A chuva escorrega pelos meus cabelos.
Embrenha-se nos pensamentos
E eu desato a chorar.
Como se chorar ou chover
Pudesse apagar
As pegadas que não cheguei a dar.
É tarde. O bar fechou.
As gaivotas partiram para longe.
O mar está agitado, parece que me acusa,
Parece que me quer castigar.
Os cargueiros afastaram-se,
Vão ancorar nos devidos portos
(Sem que eu neles tenha entrado),
E eu? Sinto-me cansado,
Sem forças para percorrer toda a areia
E preencher a praia de pegadas.
Parou de chover. Vou embora.
Num mergulho,
O mar não encheria o meu abraço
E a música? Se a ouvisse muitas vezes cansaria.
Por mais pegadas que desse, parecer-me-iam poucas
E todo o areal seria pequeno para mim.
Ficam, no espaço hipotético
Que isto ocuparia em mim
Em tamanho semelhante
Ao da vista que tenho daqui,
Ausência e chuva.
(Nem sei porque me lembrei dele...)
Sexta-feira, Março 20, 2009
Domingo, Março 15, 2009
à mesa, assim
Se a chama chega,
E ninguém chega à chama
De que vale arder?
Se o barco parte sem velas,
De que serve a maré?
Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé
E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E ninguém chega à chama
De que vale arder?
Se o barco parte sem velas,
De que serve a maré?
Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé
E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
Mesa
Sexta-feira, Março 13, 2009
Domingo, Março 01, 2009
Um coração de sangue

Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão
Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença
Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás
-Peço um coração
Nuclear
Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais,1998
Pintura de rui effe
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