Terça-feira, Abril 28, 2009

à mesa, assim (2)

Hoje até o ar anda cansado
Preciso de um enigma
Para pôr fim ao tropor
Não sei o que me deu, não costumo estar assim
Desço a rua que passa, rente à boca do mundo

Sinto a vida que passa
E os rumores que circulam na boca do mundo

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço

Por fim, por fim…

(Mesa, Na Boca do Mundo)

Sábado, Abril 25, 2009

Sempre

O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Pensamento da noite

Quando pensares que chegaste ao fundo, pensa que esse fundo pode... ser falso...

Sábado, Abril 18, 2009

Má Educação


Quinta-feira, Abril 16, 2009

Tempo Periférico

Do século periférico por entre os veleiros grandiosos
derramo a face no poema e finjo cometer um crime.
(...)
E assim a minha vida é um desastre, nada há nela que me baste.
(...)
Por entre os veleiros grandiosos, derramo a face lívida no poema e decido cometer um crime hediondo
que salve para sempre o desastre da minha vida.

Excertos do poema Tempo Periférico, de Luís Adriano Carlos. (Grande poema...)

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Bom Gosto e Bom Censu

Em pleno mês de Abril, na Loja do Cidadão de Faro:

(Funcionária obesa, feia, com verruga no nariz, 51 anos, com um provocante decote)
(Cidadão algarvio de bigode, 48 anos, pode ser de Olhão, vinha tirar um papel)

Cidadão (pensando em voz alta):

Ora senha 458…….mó!!!! Má que jéte! E quem vai prá faina? Paga um homem os impostos pra quê? Pêra aí Jaquim que se não fores tu á procura dos peixes ninguém tos vem trazer…
Eh carapau!! Com mulheres assim não admira que isto esteja cheio de gente!!
Boa!! Que és boa como a sardinha!

Cidadão
Oiça lá, eu vinha aqui tirar um papel, mas a minha senha é a quatrocentas e decote e tantas, que eu nunca mais saio daqui…

Funcionária
Tem de esperar pela sua vez, ou julga que isto aqui é a buate da esquina?

Cidadão
Mas eu aí também espero pela minha vez…

Funcionária
Então aqui é igual!

Cidadão
Mas lá é mais rápido e eu fico mais satisfeito…embora já esteja satisfeito por estar aqui consigo…

Funcionária
Respeitinho meu chaparro, que este decote é pró chefe, que isto de não ser promovida há mais de 15 anos também dói.

Cidadão
Deve doer, deve…e a mini-saia também é?

Funcionária
5 anos de aumentos congelados…

Cidadão
Já pensou vir em bikini? Talvez isso resolvesse…

Funcionária
Agora ponha-se a andar que tenho de tirar as unhas postiças e o corpete que está um calor que não se pode.

(Muito bem apanhado, da autoria do Nuno)

Sábado, Abril 11, 2009

One Dove


(a ouvir)
One dove
To bring me some peace
...
Antony and the Johnsons

Terça-feira, Abril 07, 2009

Desconfio que se [ela] disser mar em voz alta, o mar entra pela janela

à Ana

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Do Silêncio

Do silêncio do Tempo
E do silêncio das almas
E do silêncio das casas vazias
E do silêncio das próprias coisas
E do silêncio do verbo
O Homem se extinguiu

(Para renascer, precisa que irrompa
A Voz - o nosso dever falar)

JATH

Quinta-feira, Abril 02, 2009

PRAIA II

Feliz, quem sabe, o vento. Sem memória,
beijando-me nos lábios, ele abraça
o meu destino às cegas na paisagem.
É sempre nesses instante que regresso
à poalha do céu onde começa
talvez a maldição, talvez o encanto
de invocar-te em silêncio. Porque, eu sei,
entre palavras morre a cor dos sonhos,
o vão pressentimento de estar vivo.

Feliz talvez o vento e no entanto,
arrasta ainda a areia e vagas vozes
na praia ao abandono.
(...)

Fernando Pinto do Amaral

Quarta-feira, Abril 01, 2009

PRAIA