Quarta-feira, Julho 15, 2009

Dançar (o) outro

Dançar devagar
de improviso
elegantes desacertados
mãos nos sítios errados
sem aviso
corpo tenso
o outro preso
a respiração controlada
a palavra
entre dante
e beatriz
um passo em diante
e outro e outro
agora a tempo
atentos ao movimento
por vir.

De súbito
estáticos eternos

JATH

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Da substância do Crime

O que temos para um crime não é essa matéria
com que alguns varredores limpam os cadafalsos
«morre jovem o que os deuses amam»
«não há estrada no mundo ó céus para estes»
e outras frases também invenção da polícia
para não deixar beijar a sério ninguém


O que temos para um crime é o nosso sangue
de animais quadripétalos convexos simples
entregues pela frota dos normais aos homens de rosto súplice
e sofrendo nos pés a imensa massa líquida oceânica


Nós somos como a árvore mais jovem
que todo o ano precisa ser cuidada


Mortos vamos e expulsos e incriados
Mas é em nós que os planetas e os mais corpos do espaço
molham as mãos
e esmagam a cabeça


Mário Cesariny, Pena Capital